29/09/2010

Rodrigo Guedes de Carvalho

Não te procurei porque procurar-te me daria a exacta dimensão da tua ausência, poderia vaguear minutos, horas, procurar-te , quem sabe chamar por ti, dizer o teu nome, saberia eu que de pouco me adiantava, seria isto a pergunta ou a exacta dimensão, afirmação de que não te encontras. Mal tu sabes, não tiveste tempo de saber, o que pode ser uma hesitação tão estúpida entre caminhar entre os nossos destroços ou deixar-me ficar sentado, encostado à banca da cozinha , absorto a acender mil vezes o isqueiro. Reduziste-me afinal a estes passos desencadeados , todas as minhas duvidas do momento estão aqui, sento-me , levanto-me, para quê sentar-me (?) levanto-me para ir onde (?), o cão sempre atrás de mim, quer-me parecer que te procura num gesto que eu possa fazer, o cão que não sabe, nunca soube dizer o teu nome mas para quem a vida toda eras tu, seremos afinal tão diferentes (?) , é o que me resta perguntar, quando afinal ele , tal como ele, também não sei já dizer teu nome, falta-me o pormenor que te define mesmo, um detalhe para que sejas absolutamente exact(o), clar(o).
A inveja que tenho de quem sabe traduzir. Não te vou procurar. - Rodrigo Guedes de Carvalho in A Casa Quieta

11 comentários:

M' disse...

Já diziam os Ornatos Violeta "não vou procurar quem espero" x) é, eu também tou como tu: não te vou procurar. Às vezes quero, mas penso logo que não vale de nada, seria dar importÂncia a algo que não sei se deva ter e, se calhar, não tem para o outro lado --' somos mesmo inconstantes e bipolares rainha xD

já te adicionei Rainha (L)

Zanna disse...

Que giro :p

catts ღ disse...

simplesmente, lindo!

Jóó Freitas disse...

querida que texto (: , amei por completo.

- Bianca disse...

Bonito (:

Laura K. disse...

Lindo, lindo, lindo.

M' disse...

Pois, mas 'as vezes tens de aprender a desistir. Eu aprendi a desistir de um passado que estava sempre a insurgir-me no presente [parecendo-me que daqui a uns anos, ele volta] porque sou muito melhor sem ele. A verdade? Tenho cada vez mais defesas, mais muros. E isso, por vezes, impede o presente. Tu, minha rainha mais perfeita, vais aprender também um dia a deixar para trás aquilo que ficou e tem de ficar para trás, porque se há razão para ele ser passado, é porque não vale a pena trazê-lo po presente =)

Lu disse...

ai adoro, adoro !

GF disse...

Gostei :D
Sentes o que escreves isso agrada-me :D
Vou seguir

Beatriz disse...

amei, escreves muito bem :)

b <3

N. # disse...

amei ! *